O filme romeno O casamento silencioso (Nunta mutǎ) tem em seu cerne uma ideia genial: mostrar o conflito entre um poder dominador e uma comunidade que não está nem aí para ideologias. O mote do filme: um casamento reúne todas as famílias de um vilarejo romeno em uma celebração, mas um acontecimento inesperado e longínquo – a morte de Josef Stalin em 1953 – joga um balde de água fria. Segundo o oficial russo que dava as cartas (e usufruía das delícias locais do jeito peculiar dos dominadores), o luto oficial pelo grande líder não permitiria nenhuma celebração.
Foi obedecido? Não muito – fez-se o silêncio possível, mas a festa de casamento não deixou de acontecer.
O filme tem qualidades: faz rir (muito), faz pensar, apesar de no fundo estar batendo em cachorro morto. Por outro lado, ao escolher uma estrutura narrativa não muito óbvia, o filme pode causar estranheza, mas se percebermos que o filme se passa nos dias de hoje e que a estória do casamento vem da lembrança não muito confiável de um antigo morador do vilarejo, todos os elementos meio doidos do roteiro – que inclui momentos de pastelão e até um circo – mostram a que vieram.
Fica o gosto amargo de perceber que, vista de qualquer ângulo, a história se repete, os pequenos sendo sempre esmagados. O Golias da Bíblia é a exceção que comprova a regra.
Um fato interessante sobre o filme? Tem sim, o nome em francês: Ao diabo com Stalin, viva o casal! Por sinal, o site francês do filme (veja aqui) é muito bem feito.

Valeu a dica do filme!
Do cinema romeno… vi, e gostei muito de ‘4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias’.
Do cinema romeno… vi, e gostei muito de ‘4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias’. [2]
O outro já está anotado.
Gostei do seu titulo!