Há pouco mais de quarenta anos uma atividade extremamente popular em vários países era sentar o cassetete em estudantes. Passado o susto da Segunda Guerra, solidificada a Cortina de Ferro, as pessoas aos poucos foram tomando conhecimento de que países estavam atacados com Napalm por pessoas convocadas ao serviço militar, de ditaduras que torturavam e de outras formas de opressão e racismo. Iam às ruas protestar e levavam pra casa uma recordação de que o Estado não concordava com suas reivindicações.

Der Baader Meinhof Komplex (O Grupo Baader Meinhof) é um filme alemão que se dá ao trabalho de contar de forma quase didática como surgiu, como agiu e como terminou a RAF (Rote Armee Fraktion) - que a imprensa, ávida por personalizar os inimigos públicos, resolveu batizar com o nome de seu principal dirigente e de sua mais famosa componente.

A cena inicial do filme dirigido por Uli Edel é memorável. De uma rápida tomada na praia, o filme passa a uma Berlim Ocidental agitada pela visita do então Chá da Pérsia, Reza Pahlevi, e sua mulher, Farah Diba. O caráter inesperado da ação do establishment, que reunia serviços secretos, polícia e imprensa pop, e a reação dos estudantes e curiosos, dá um choque no espectador e passa a mensagem: esqueça teus conceitos de mundo politicamente correto, e bem-vindo aos anos 60.

Sem tentar endeusar a RAF, o filme tem duas vertentes. Por um lado, Edel conta a história do grupo com riqueza de detalhes – o que torna o filme denso sem chegar a ser chato. Por outro lado, o filme explora os motivos que levaram pessoas tão diferentes como Andreas Baader, um explosivo e descontrolado homem de ação, e Ulrike Meinhof, uma intelectual conhecida pelos seus artigos e por sua participação na TV, a criar um grupo cujas ações causaram muitas mortes.

Um dos acertos do filme, por sinal indicado ao Oscar, foi confiar a dois dos melhores atores alemães os papéis mais importantes. Baader é magistralmente interpretado por Moritz Bleibtreu, e cabe a Bruno Ganz o papel de Horst Herold, chefe do BKA (equivalente alemão ao FBI). Enquanto Bleibtreu captura de forma ímpar a complexidade do líder da RAF, Ganz compõe um Horst que é uma ilha de racionalidade e sobriedade no meio de um tumulto ideológico entre uma direita totalitária e uma guerrilha urbana que dialogavam com tiros e bombas. Martina Gedeck, que já contracenou com Bleibtreu em Partículas Elementares, faz o papel da conflitada Meinhof.

Brevemente nos cinemas. Não deixe passar em branco.



2 Responses to “Uma boa aula de história recente”  

  1. 1 Karenina

    Adorei essa aula!

  2. 2 LELLA

    Adorei essa aula! [2]


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