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Andrew Niccol escreveu excelentes roteiros para o cinema. Começou com Gattaca, uma ficção light cujo título (genial por sinal) brinca com a genética. Escreveu também o roteiro de The Terminal (O Terminal), que no mínimo tem o mérito de contar uma estória sem entediar o espectador. E escreveu dois roteiros geniais: The Truman Show (O show de Truman), o reality show levado ao extremo, e Lord of war (outro título genial que aqui foi destroçado pela tradução Senhor da Guerra).  Niccol também dirigiu Gattaca e Lord of war. Esta lista de roteiros não deixa dúvida quanto à genialidade de Niccols.

Em compensação, Niccols escreveu e dirigiu In Time (O preço do amanhã).

O filme é uma metáfora, disfarçada de ficção científica. E este é o ponto positivo do roteiro – tomar literalmente a expressão tempo é dinheiro e invertê-la para criticar, com uma parábola, o sistema econômico que favorece os ricos. Daria um ótimo curta-metragem.

Ao esticar o assunto para um longa, Niccols juntou os piores elementos de um filme de ação (tiros, perseguição com carros) e criou um (anti?) herói que herdou de Robin Hood apenas a vontade de defender os pobres, esquecendo de todo o resto – ao contrário de Hood, o Will Salas de In Time age por conta própria. O filme é patético.

Sendo um filme de ação com um bom elenco onde aparecem John Galecki do Big Bang Theory e Olivia Wilde de House, restaria a opção de desligar o cérebro e assistir como um filminho de sessão da tarde? Só se você for um expert em desligar totalmente o cérebro para não perceber a quantidade absurda de furos no roteiro.

Não vou relacionar estes erros, até porque a maioria entrega as poucas surpresas do filme. Mas os erros vão da absoluta inconsistência (note, por exemplo, que os mapas da polícia não têm nada a ver com o mapa do banqueiro) até bobeadas irritantes (num universo em que o tempo é fundamental um ano tem 364 dias, deixo a matemática por tua conta). O que acontece quando uma multidão paupérrima saqueia o cofre de um banco logo depois de ele ser arrombado? No universo de Niccols sobra muita grana.

Até o bom ator Cillian Murphy acaba entrando no jogo da direção – em algumas cenas com o banqueiro Wies ele parece disputar quem faz mais caretas. Mas as caretas não são nada quando comparadas ao que acontece aos humanos que ficam sem dinheiro – ridículas ao ponto de lembrar as cenas exageradas do Monty Python em que alguém morre, como neste episódio:

Todo dia 2 de fevereiro, enquanto alguns lembram de N S dos Navegantes e outros de Iemanjá, eu lembro que é dia da Marmota – uma das coisas que aprendi no cinema, com o inesquecível Groundhog day (Feitiço do tempo).

Talvez não seja para tanto, mas desconfio que o dia 15 de julho [*] vai passar a ter seu significado depois que a diretora Lone Schefrig mostrou 20 dias 15 de julho seguidos em seu intrigante One day (Um dia). Lone é a dinamarquesa que dirigiu, nos bons tempos do dogma, Italiensk for begyndere (Italiano para principiantes), e mais recentemente An education (Educação) que já comentei aqui. Não ia deixar passar um novo filme dela sem dar um pulo no cinema.

Jim Sturgess faz o inconstante e imaturo Dexter enquanto Anne Hathaway interpreta a (meio) tímida Emma. Já no começo do filme, Dexter explica a Emma que dia 15 de julho é dia de São Swithin – tanto ele quanto ela disfarçando o fato embaraçoso de que sabiam de cor o poema que resume a tradição do santo que faz chover:

St. Swithin’s day if thou dost rain
For forty days it will remain
St. Swithin’s day if thou be fair
For forty days ’twill rain nae mair.

O filme conta a estória de dois jovens que evidentemente se querem, e teria tudo para cair no esquemão da comédia romântica. A ideia de mostrar um dia na vida dos protagonistas e dar um feed forward para o ano seguinte funciona muito bem ao nos poupar de detalhes – e assim vemos as metamorfoses de Anne Hathaway, aqui feiosa e nerd, ali sensual e gamine.

Emma e Dexter (Buzznet)

Lá pelas tantas você vai achar que, afinal, é uma comédia romântica mesmo. Mas a turma que estava suspirando e torcendo para que Emma botasse véu e grinalda acabou engolindo em seco ao ver que não se trata de uma estória de amor banal.

As locações são um destaque do filme. Tomadas deslumbrantes de Edinburgo e de Paris – não a turística da torre Eifel mas sim a idílica do canal St Martin.

[*] no post original escrevi 15 de junho, mas uma boa alma me avisou. Acabei confundindo com os outros santos que compartilham a mesma lenda [**] tais como S. Gervásio, S. Protásio e S. Médard, estes sim festejados em junho.

[**] não estranhe a lenda ser igual para tantos santos – afinal não se trata de milagre e sim de um fenômeno meteorológico bem conhecido.

 

No último post comentei a comedinha romântica Friends with Benefits (Amizade Colorida). Achei coisas boas no filme e resolvi dar uma olhada no trabalho anterior do diretor Will Gluck, Easy A (A mentira), que por estas bandas foi direto para os disquinhos de policarbonato nas locadoras. O filme é várias coisas:

  • é uma adaptação livre do livro A letra escarlate de Nathaniel Hawthorne: a estória de Hester, uma mulher que comete um ato inaceitável para a sociedade em que vive e sofre humilhações que enfrenta – quando pode – de cabeça erguida.
  • é uma homenagem descarada aos filmes de John Hughes sobre adolescentes – Clube dos Cinco, Curtindo a vida adoidado e outros.
  • é um filme que traz muitas das coisas boas que ressurgem em Friends with Benefits: auto-ironia desmascarando os filmes que homenageia/ parodia, por exemplo. E um elenco de coadjuvantes de primeira linha, que seguram muito bem a trama: Patricia Clark (de novo a mãe da protagonista), Stanley Tucci, Malcolm McDowell (de Laranja mecânica), Thomas Haden Church (o amigo de Miles em Sideways) e até Lisa Kudrow, a Phoebe de Friends.
Easy A é bem melhor que o filme seguinte. Emma Stone faz o papel de Olive, uma garota que vivia no anonimato que costuma cercar as alunas que gostam de literatura mas não são populares, até que um dia resolve contar uma mentirinha inocente que a coloca no centro da rede de fofocas da escola e lhe rende a fama de piranha-mor. Olive, usando um vocabulário erudito que por si só já faz valer a pena prestar atenção na narração, conta o que aconteceu: a mentira inicial, o efeito areia movediça em que ela se afundava cada vez mais, a reação dos colegas.
Will Gluck usa muito bem o recurso de mostrar que, para os adultos que participam do filme, os pudores que tanto chocam a garotada não passam de bobagem. Ao saber que Olive está sendo acusada de ter perdido a virgindade com um garoto mais velho, a mãe tenta acalmá-la dizendo que na escola transou com muita gente, e faz a importante ressalva: a maioria, garotos.
A ironia do roteiro de Bert Royal é o ponto alto do filme: ele brinca com os filmes dos anos 80 e com livros, de Hawthorne a Mark Twain, passando pelo Pentateuco e pelo relatório Kinsey. O vocabulário dos adolescentes é um achado: para driblar a censura, os adolescentes usam expressões inventadas que soam mais realistas do que as expressões “amaciadas” comumente usadas nestes filmes – algumas são ótimas, como a garota carola que acusa Olive de ser uma rhimes-with-witch. Vi no original, não tenho a menor ideia se a tradução tomou o cuidado de manter isso.
Vale a pena pegar na locadora. Sessão da tarde com pitadas de cultura.
[*] a frase de Olive que usei como título do post é um jogo com uma frase famosa de Twain sobre a inexatidão das fofocas.

A metralhadora revolucionou a arte da carnificina ao eliminar a necessidade da pontaria. O princípio da metralhadora foi tomado de empréstimo pelo numeroso grupo de roteiristas (quatro ao todo!) do filme Friends with benefits (Amizade colorida). Os personagens passam o filme disparando falas com níveis variados de humor, numa barragem de fogo que tem o efeito dá metralhadora: algumas boas piadas acertam o alvo, mas o barulho é de deixar tonto.

Em várias cenas de Friends with benefits  os personagens principais ficam satirizando as comédias românticas que assistem – pena que o filme se encaixa perfeitamente na categoria, até o final bem roliudiano.

Mas não saí do cinema com raiva. Pelo contrário. O diretor Will Gluck acertou na escolha do elenco, especialmente nos coadjuvantes: Woody Harrelson, Patricia Clarkson e Richard Jenkins [*] estão perfeitos nos seus papéis, dando credibilidade a personagens que, pelo roteiro, seriam caricatos. Richard Jenkins, em especial, consegue dar a seu personagem o ritmo necessário para que suas falasfiquem engraçadas, mas passa uma imagem muito forte da dificuldade em aceitar a chegada do mal de Alzheimer. As melhores cenas acabam envolvendo o editor de esportes Tommy (Harrelson).

Friends with benefits  conta a estória de Dylan, um californiano que vai a Nova Iorque e conhece Jamie. Ficam amigos, decidem ter uma amizade colorida e com isso desencadeiam uma torrente de visões preconceituosas sobre relação, sobre Nova Iorque, sobre Los Angeles, sobre heroísmo, sobre a Amazon.com, contra uma operadora de celular[**], etc etc. Justin Timberlake, que já tinha feito um bom papel em A Rede Social, mostra no papel de Dylan que tem timing para a comédia. Mila Kunis, que mexeu com a libido de quem entendeu O Cisne Negro, mostra no papel de Jamie que tem pernas – sua atuação, contrastada ao resto do elenco, deixa a desejar.

Em resumo: vá ver sem expectativas, ou aguarde o DVD. E se tiver saco espere pelo final dos créditos.

[*] não são atores lembrados pelo nome, até porque acabam fazendo papéis secundários. Patricia foi uma das Rachel de Ilha do Medo (Shutter Island) e esteve em filmes como Dogville, Lars and the real girl, Vicky Cristina Barcelona, O agente da estação e Elegy (Fatal). Woody, o barman do seriado Cheers, já foi protagonista em Natural Born Killers (Nascidos para matar). Jenkins fez vários filmes com os irmãos Cohen e foi o psiquiatra faminto no Quem vai ficar com Mary? [***] Se quiser conhecer o trabalho de Jenkins ache o filme The visitor (O visitante), o único em que me lembro de vê-lo como protagonista.

[**] a menção a estas empresas é velada mas evidente.

[***] ele é o psiquiatra que sai da sala pra lanchar e só ouve o trecho sobre a parada na estrada

 

Já está na rede o melhor teaser de cinema do ano. Para entender por que eu acho isso você precisa ver antes um outro teaser – que talvez já tenh visto no cinema.

O primeiro teaser é da versão em inglês do filme The girl with the dragon tatoo, dirigido por David Fincher. Pode passar direto para 1:10 do trailer e ver até o final.

Visto este, veja o trailer abaixo.

 

23:00

Un cuento chino (Um conto chinês) é um daqueles filmes que simplesmente deram certo. O diretor Sebastián Borensztein conta uma estória de personagens carcomidos por solidão e dor sem perder em momento algum o ritmo e o humor. Os risos (perplexos) começam logo na primeira cena. Vou resumir: um filme para não deixar de ver.

Além de ser um excelente filme, Un cuento chino comprova que Ricardo Darín é um ator sensacional.

PS: um incentivo: assistindo ao filme você entende o título do post.

 

Só uma coisa supera a capacidade imaginativa dos seres humanos: a realidade. Uma boa prova disto está passando em (poucas) telas de cinema. O diretor Brillante Mendoza fez um filme aparentemente simples em que mostra seu país, as Filipinas, de uma forma tão realista que muito do que aparece na tela nos parece surreal. Lola narra o drama de duas avós que precisam percorrer as veredas de Mandaluyong (uma das municipalidades que compõe a capital Manila) para resolver o rescaldo que um crime que envolveu seus netos: um deles suspeito de latrocínio, o outro a vítima.

A viagem de jeepney, ainda no começo do filme, é uma amostra do que nos espera ao longo do filme.

Jeepney - Wikipedia

Para começar, Lola significa avó em tagalog, e o filme não deixa dúvidas quanto ao tratamento respeitoso e cheio de cuidados que as senhoras de idade recebem. As velhas percorrem becos sombrios e repartições públicas enquanto o diretor vai revelando características locais que nos parecem quase alienígenas de tão surreais. Exemplo? As pessoas falam a língua local, entremeada de expressões herdadas da colonização espanhola – números, dias de semana, etc – mas quando vão a um órgão de justiça precisam se virar em inglês. Ao longo deste périplo das avós, as Filipinas de Billante se revelam em um retrato multidimensional com toda a pobreza dos arredores da capital, com sua fé e ritos católicos, com seus nomes de batismo que unem nomes locais aos herdados dos ocupantes espanhóis e americanos, com seu clima de monções.

Lola começa lento e não acelera muito [*], mas é extremamente rico na percepção de detalhes. Fácil entender por que ele vem amealhando premiações.

Se nada disso te atiça a curiosidade, há pelo menos um motivo para ver Lola: um ator chamado Ketchup. Isso mesmo, Ketchup Eusebio interpreta um dos netos, Mateo Burgos.

[*] não é 3D, não tem efeitos especiais (exceto os papeis que voam na ventania do início do filme, hiper trash), e a cena de perseguição não envolve carros. è um anti-transformers.

 

Midnight in Paris (Meia-noite em Paris) de Woody Allen é um daqueles filmes que não se consegue comentar sem entregar a surpresa – tanto que os créditos divulgados só incluem os personagens que aparecem no início do filme, antes que… viu? melhor parar por aqui.

Mas tenho lido e ouvido uma coisa que me deixou desconcertado: que este filme é uma repetição de A rosa púrpura do Cairo. Talvez seja obtusidade minha, mas a única coisa em comum entre os filmes que eu consegui identificar - fora o diretor e suas manias – é que ambos têm um personagem chamado Gil.

Para quem já viu o filme ou não se importa com spoliers, resumi minha reação pessoal ao filme aqui.

 

Serge

5 bis, Rue de Verneuil, Paris

Gainsbourg (vie heroïque) é um dos filmes mais originais e interessantes dos últimos tempos. Deve entrar logo em cartaz com o enganador subtítulo nacional O homem que amava as mulheres. O epíteto, roubado de um filme de Truffaut dos anos 70, não tem nada a ver com o rebelde compositor francês que sacudiu o mundo nos anos 60 e 70: Serge Gainsbourg estava mais para o homem que traçava as mulheres.

Joann Sfar escreveu a história de Serge Gainsbourg em quadrinhos, e decidiu passar para a telona sua visão original sobre o intrigante personagem que se tornou famoso, entre outras coisas, por ter tido Brigitte Bardot como amante.

A principal qualidade do filme é não se prender aos limites da “verdade” histórica – nos créditos finais, o diretor deixa claro que não se baseou apenas nos fatos, mas também nas mentiras contadas por Gainsbourg. Livre para transitar entre realidade e fantasia, entre história e delírio – a tal vida heróica do título francês – Sfar conseguiu montar uma narrativa extremamente original que, com raros momentos de perda de ritmo, carrega o espectador por mais de duas horas de filme no imaginário surreal do garoto judeu na Paris ocupada que se tornou o autor de uma das músicas mais memoráveis já compostas (não estou exagerando).

Mesmo mergulhado na fantasia, Sfar soube respeitar as referências históricas. A escolha do ator Eric Elmosnino foi perfeita, Laetitia Casta convence como a sedutora Bardot apesar de não ser nem tão parecida. Mas o que mais impressiona é a inglesa Lucy Gordon, uma atriz bissexta que faz o papel de Jane Birkin – quando li que este filme seria rodado, meu medo é que o diretor não conseguisse explicar o calibre erótico da magricela de voz aguda; para meu alívio, Lucy incorpora Jane de uma forma que dispensa explicações. O filme, inclusive, é dedicado a Lucy Gordon, que morreu logo após as filmagens.

Na descrição deste blog escrevi que trataria das pequenas coisas que tornam um filme memorável. Aí vão algumas:

  • O ator que faz o lado negro de Gainsbourg (le Guèle, ou Gainsbarre) é Doug Jones, o mesmo que fez o fauno em O Labirinto do Fauno.
  • Em uma cena rápida no início da vida adulta Gainsbourg está tendo uma aula de violão. O mestre é Django Reinhardt, uma lenda da música, que já foi reverenciado por Woody Allen em seu Sweet and Lowdown (Poucas e boas). No filme de Allen, o megalomaníaco Emmet Ray (interpretado por Sean Penn) tem uma frustração, a de ser reconhecido como o segundo melhor do mundo. Pois bem, o melhor é o próprio Django. Uma das poucas gravações ao vivo de Django é esta, onde ele aparece a partir dos 0:40, tocando com dois dedos da mão esquerda. Dica: observe, ao longo do filme, quantas vezes Serge usa apenas dois dedos – por exemplo ao segurar um copo.
  • O filme mostra uma cena em que Serge brinca com as filhas que teve com Jane Birkin. Uma delas, Charlotte, é hoje uma atriz famosa que herdou muito da mãe – ela fez a personagem principal do Anticristo de Lars von Trier.
  • As letras das músicas são atrações à parte, nem todas passíveis de tradução. Entre outras, a curiosíssima justificativa de Boris Vian para encher a cara de vinho [*]

Je bois
      systématiquement
Pour oublier
      tous mes émmerdements

  • Para completar: a música mais conhecida de Gainsbourg é evidentemente Je t’aime, moi non plus. Lançada no disco 69, o ano erótico, e cantada (cantada???) por Jane Birkin e Serge Gainsbourg em sua versão mais conhecida, a música transuda erotismo por todos os poros do speaker. A origem desta música aparece discretamente em uma das cenas mais quentes do filme e comprova a força do poder de veto de um marido corneado.

Quando esta música foi lançada por aqui eu engatinhava em meus estudos de francês e não tive coragem de perguntar à professora por que o nome tão esquisito. É que quando Jane fala Je t’aime (eu te amo), Serge responde Moi non plus (nem eu). [**] Levei alguns anos para entender a fina ironia da letra, e mais outros tantos para descobrir que o jogo de palavras tinha um pedigree. [***]

[*] na versão do filme Gainsbourg faz um dueto com uma letra diferente que toma emprestados os elefantes cor-de-rosa que o elefantinho Dumbo enxerga quando se embriaga no filme da Disney.

[**] que eu me lembre, nunca me ocorreu fazer uma citação de Gainsbourg quando ouço alguém me dizer a frase mágica da música – provavelmente não estaria aqui para contar se tivesse acontecido. :)

[***] reza a lenda que foi o modestíssimo Salvador Dalí quem, ao ser comparado a Picasso, teria respondido: Picasso é espanhol, eu também. Picasso é um gênio, eu também. Picasso é comunista, moi non plus.

The hangover part II (Se beber não case 2) volta a nos apresentar o grupo de amigos da parte I – Alan, completamente sem noção, e Doug [*], casando mais uma vez, agora na Tailândia (pois é, outro sem noção). Alguns personagens especiais da parte I também aparecem em momentos chave do filme.

Sobre a parte I escrevi aqui. A parte II tem a desvantagem de perder o elemento surpresa, mas compensa fazendo várias referências ao filme anterior. A ação é mais light, mas há boas piadas – especialmente uma fala de Alan perto do final. De bônus para quem conhece as músicas de Billy Joel, uma paródia de Allentown. Alan continua sendo o mesmo babaca, mas Doug vai cada vez mais fundo na sua viagem de autoconhecimento.

E, claro, só nos créditos é que ficamos sabendo o que aconteceu. Leve lenço de papel.

[*] troquei as bolas, é o Stu quem se casa neste filme – é seu segundo casamento mas quem casou no primeiro filme foi o Doug. Lella, sempre atenta, percebeu e me avisou (ver comentários).

 

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